Desde o começo, sempre foi mentira. E todos sabiam. Pelo menos, enfrenta. Como aquela, mentindo naturalidades com tamanha perfeição que até consegue dizer: sou simples. E diz a verdade quando mentes. Não me venhas com Densas Paixões Psicológicas. Artimanhas, embustezinhos corriqueiros. Portas falsas, coração.

Quis dizer a ele que voltariam as manhãs, ainda mais claras agora que estávamos juntos, voltariam sim as claridades, o calor das tardes sobre a terra coberta de verde e também os crepúsculos de nunvens roxas e rosadas colorindo o cume dos montes, e mais tarde as noites embaladas por flautas, centins, brisas com cheiro de mato varando as frestas das vidraças, senão para sempre, acho que disse, por muito tempo, por tanto tempo, tão longo, tão fundo, que será como para sempre…

Colocou os braços em volta da minha cintura. Eu me curvei, para poder abraçá-lo inteiro.
Precisava que aceitasse e permitisse meu impulso de amor para não permanecer assim, perdido entre os outros.
Nunca mais, eu pensei que alguém viria. Nunca, outra vez, a mão de alguém na minha pele cheia de células mortas.
(via medformat)
Eu quis ir embora, viver minha própria vida, por mais mediana ou mesquinha que pudesse vir a ser, sem cor.
Não me importo, nem sinto medo. Sei como disciplinar as coisas, e mesmo que o caos seja inevitável, pelo menos será filtrado pela nitidez de cada coisa em seu lugar exato.
Sim, saberia. Mas depois de lavar o chão, fiquei muito cansada de mim, de todos, de ser tudo a cada dia sempre assim.
(via kari-shma)

Minha vida me doía fundo, sangrada, sem saída. Tudo que eu precisava era o sol quente da manhã seguinte, que não viria, aquecendo minha cabeça confusa. Cobri o rosto com as mãos e comecei a chorar.

Não se deve, não se pode querer estar em outro lugar além do que se está. Eles desejam coisas que não existem. Eles não conhecem a paixão, nem tu. A tudo isso que eu chamo de tontura, não de prazer.

